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Recursos fílmicos e ensino da bioética nas ciências do movimento humano

Resumo

Por meio de estudo descritivo-exploratório realizado com egressos do Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina, buscou-se compreender os significados dos filmes no ensino da bioética e identificar obras cinematográficas de temas bioéticos relacionados à atividade física e à saúde nas ciências do movimento humano. Utilizaram-se entrevistas semiestruturadas, cujos dados foram analisados pela análise de conteúdo. As categorias a priori partiram dos objetivos e as respostas dos participantes geraram as subcategorias a posteriori , organizadas em: contribuições sobre o aprendizado de bioética para o Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano e para a vida profissional; e percepção sobre o uso de recursos fílmicos como recurso pedagógico, incluindo sugestões de filmes e temáticas próprias ao curso. Os recursos fílmicos com temáticas próprias tornam o aprendizado mais significativo e prazeroso, possibilitando aproximações das realidades das profissões dos alunos aos conteúdos bioéticos, facilitando tal aprendizado.

Bioética; Saúde; Filmes cinematográficos

Abstract

This descriptive-exploratory study conducted with graduates from the Graduate Program in Human Movement Sciences at the Santa Catarina State University sought to understand the meanings of using movies in bioethics teaching and to identify motion pictures with bioethical themes related to exercise and health in the human movement sciences. Data were collected using semi-structured interviews and investigated by content analysis. A priori categories were based on the objectives. The participants’ answers generated the a posteriori subcategories, organized as follows: contributions to bioethics learning for the Graduate Program in Human Movement Sciences and professional life; and perceptions about using motion pictures as a pedagogical resource, including suggestions of movies and themes specific to the course. Movie resources with related themes make learning more meaningful and pleasurable, bringing the students’ professional realities closer to the bioethical content, facilitating such learning.

Bioethics; Health; Motion pictures

Resumen

Este estudio descriptivo y exploratorio, realizado con egresados del Programa de Posgrado en Ciencias del Movimiento Humano de la Universidad do Estado de Santa Catarina, pretende conocer las ventajas de utilizar películas en la enseñanza de la bioética e identificar obras cinematográficas relacionadas con actividad física y salud en las ciencias del movimiento humano. Se utilizaron entrevistas semiestructuradas, y se aplicó el análisis de contenido a los datos. Las categorías a priori partieron de los objetivos, y las respuestas de los participantes generaron subcategorías a posteriori: Aportes del aprendizaje de la bioética para el Programa de Posgrado en Ciencias del Movimiento Humano y la vida profesional; y el uso del cine como recurso pedagógico, con sugerencias de películas y temas específicos. Los recursos del cine promueven un aprendizaje más significativo y placentero al posibilitar una aproximación de los estudiantes a los contenidos bioéticos de la profesión, facilitando el aprendizaje.

Bioética; Salud; Películas cinematográficas

As ciências do movimento humano (CMH) são compostas por ciências que estudam o corpo funcional em movimento – biomecânica, bioquímica e fisiologia – e a visão relacional desse corpo em movimento com ele mesmo, inserido na sociedade e na cultura – antropologia, sociologia e psicologia. O olhar funcional está voltado às dimensões e formas corporais, e a visão relacional, por sua vez, considera que o corpo se relaciona consigo próprio, com outros corpos, com a cultura e a sociedade, sendo que esse corpo tem desejos, ambições, aflições e emoções. Tanto o olhar funcional quanto o relacional, cada qual restrito a sua fronteira disciplinar, são pequenos diante da complexidade dos diversos movimentos de expressão do corpo humano 11. Gaya A. Ciências do movimento humano: introdução à metodologia da pesquisa. Porto Alegre: Artmed; 2008..

De acordo com Gaya 11. Gaya A. Ciências do movimento humano: introdução à metodologia da pesquisa. Porto Alegre: Artmed; 2008., os profissionais das CMH, que lidam com os corpos em movimentos relacionados a esportes, danças, jogos e lutas, entre outros, propõem-se a analisar, interpretar e ensinar as manifestações corporais do corpo em movimento, bem como compreender os diversos tipos de movimentos intencionais do corpo à luz de sentidos e valores, de condições e possibilidades, das normas e razões da educação e da formação.

Diante da complexidade dos movimentos do corpo físico e suas manifestações psíquicas com o meio ambiente, que é o cenário onde atua o profissional das CMH, é importante que este, durante sua formação, tenha contato com o ensino de bioética, para aprender a lidar com possíveis conflitos bioéticos que surgirão a partir das descobertas científicas e do uso de novas tecnologias. Durand 22. Durand G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Loyola; 2012. corrobora essa visão ao abordar a necessidade de a bioética tratar casos clínicos singulares a serem resolvidos, de pesquisas a serem avaliadas, de diretrizes a serem elaboradas, de políticas públicas a serem estabelecidas quando questões éticas surgirem em decorrência do desenvolvimento tecnológico no campo da saúde e da vida humana, incluindo qualidade de vida.

A importância do ensino da bioética no campo da saúde tem sido discutida por diversos autores 33. Andrade AFL, Pessalacia JDR, Daniel JC, Euflazino I. Processo ensino-aprendizagem em bioética: um debate interdisciplinar. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2016 [acesso 28 jul 2022];40(1):102-8. DOI: 10.1590/1981-52712015v40n1e01732015

4. Figueiredo AM. Perfil acadêmico dos professores de bioética nos cursos de pós-graduação no Brasil. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2011 [acesso 28 jul 2022];35(2):163-70. DOI: 10.1590/S0100-55022011000200004

5. Paiva LM, Guilhem D, Sousa ALL. O ensino da bioética na graduação do profissional de saúde. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 2014 [acesso 28 jul 2022];47(4):357-69. DOI: 10.11606/issn.2176-7262.v47i4p357-369
- 66. Rego S, Palacios M. Contribuições para planejamento e avaliação do ensino da bioética. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2017 [acesso 28 jul 2022];25(2):234-43. DOI: 10.1590/1983-80422017252183 , e um dos métodos de ensino utilizados são os recursos fílmicos 66. Rego S, Palacios M. Contribuições para planejamento e avaliação do ensino da bioética. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2017 [acesso 28 jul 2022];25(2):234-43. DOI: 10.1590/1983-80422017252183 , 77. Guilhem D, Diniz D, Zicker F. Pelas lentes do cinema: bioética e ética em pesquisa. Brasília: Letras Livres; 2007. . A análise estruturada de um filme, seguida da discussão, pode ser um instrumento pedagógico facilitador para concretizar os objetivos educacionais da bioética 88. Dantas AA, Martins CH, Militão MSR. O cinema como instrumento didático para a abordagem de problemas bioéticos: uma reflexão sobre a eutanásia. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2011 [acesso 28 jul 2022];35(1):69-76. DOI: 10.1590/S0100-55022011000100010

9. Fonseca ACC. Cinema, ética e saúde. Porto Alegre: Bestiário; 2012.
- 1010. Waltrick LT, Stein F, Marinho A. Vulnerabilidade e bioética: discussões sobre o filme Um homem entre gigantes. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2021 [acesso 28 jul 2022];29(1):186-93. Disponível: https://bit.ly/3UrkAs9
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.

Conforme Moratalla 1111. Moratalla TD. La ética narrativa como fundamento del encuentro entre cine y bioética. In: Capella VB, editor. Bioética y cuidados de enfermería. Madrid: Cecova; 2014. p. 163-82., o cinema é um espaço privilegiado para a reflexão bioética, porém, para que o aprendizado ocorra são necessários bases e métodos adequados. O objetivo final do recurso narrativo do cinema é aprender a deliberar, o que, para o autor, não é tarefa fácil e requer prática. Ele descreve a narração como instrumento da demonstração e da exposição dos assuntos da vida humana, porque, por meio da narrativa, é possível aprender a relacionar os casos imaginários que constituem tantas experiências de pensamento com os aspectos éticos do comportamento humano.

Ainda de acordo com Moratalla 1111. Moratalla TD. La ética narrativa como fundamento del encuentro entre cine y bioética. In: Capella VB, editor. Bioética y cuidados de enfermería. Madrid: Cecova; 2014. p. 163-82., o cinema, ao narrar casos imaginários, possibilita processos de identificação imediatos, porque os espectadores são atraídos pela trama, estética e identificação com os personagens. Assim, movido por muitas imagens audiovisuais mais relacionadas às narrativas expressas na forma de imagens que em textos escritos, o cinema tornou-se instrumento de deliberação moral 1111. Moratalla TD. La ética narrativa como fundamento del encuentro entre cine y bioética. In: Capella VB, editor. Bioética y cuidados de enfermería. Madrid: Cecova; 2014. p. 163-82.. A ética narrativa analisa a complexidade da vida humana por meio da narrativa; e a prática da narração contribui para o aprofundamento da complexidade da vida sobre o nascer, o morrer, o adoecer ou sobre como se vive 1212. Moratalla TD, Grande LF. Bioética narrativa. Madrid: Escolar y Mayo; 2013..

Tarrés 1313. Tarrés MC. Una mirada didáctica para aprender medicina de película. Rev Med Cine [Internet]. 2014 [acesso 28 jul 2022];10(2):57-9. Disponível: https://bit.ly/3H0MkB1
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aborda o cinema como ferramenta pedagógica, pois o uso de recursos fílmicos facilita a visualização das circunstâncias e do contexto pessoal, como valores, crenças, sentimentos e desejos dos personagens, fazendo que o espectador se identifique com os personagens. Concordando com esse pensamento, Isern 1414. Isern MTI. Medicina e cinema para ensino e pesquisa. Rev Med Cine [Internet]. 2014 [acesso 28 jul 2022];10(2):51-2. Disponível: https://bit.ly/3OSvNRp
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defende que filmes podem ser utilizados para demonstrar atitudes e valores, além de práticas profissionais, e que a história do filme permite contextualizar problemas de saúde nas dimensões psicossocial e espiritual, diferentemente do estudo de caso concreto por meio do modelo tradicional de explanação do caso. Tarrés 1313. Tarrés MC. Una mirada didáctica para aprender medicina de película. Rev Med Cine [Internet]. 2014 [acesso 28 jul 2022];10(2):57-9. Disponível: https://bit.ly/3H0MkB1
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ainda enfatiza que filmes podem ser utilizados para abordar tanto assuntos do currículo do curso quanto temas bioéticos.

Embora estudos associando as CMH e a bioética sejam incipientes, algumas pesquisas reportando conflitos bioéticos merecem destaque, tais como: uso de doping 1515. Silva MRS. Doping: consagração ou profanação. RBCE [Internet]. 2005 [acesso 28 jul 2022];27(1):9-22. Disponível: https://bit.ly/3XFSoox
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, manipulação genética em atletas 1616. Coelho MM. Doping genético, o atleta superior e bioética. Bioethikos [Internet]. 2012 [acesso 28 jul 2022];6(2):171-80. Disponível: https://bit.ly/3ERmSv8
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, atendimento clínico de atletas profissionais 1717. Alcaíde AR. Conflitos bioéticos no atendimento clínico do atleta profissional [dissertação] [Internet]. São Paulo: Centro Universitário São Camilo; 2007 [acesso 28 jul 2021]. Disponível: https://bit.ly/3Fha42E
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, iniciação esportiva precoce 1818. Rebello DS. Iniciação esportiva: uma abordagem bioética. In: Salles AA, editor. Bioética: velhas barreiras, novas fronteiras. Belo Horizonte: Mazza; 2011. p. 257-70. e vulnerabilidade no esporte de alto rendimento 1010. Waltrick LT, Stein F, Marinho A. Vulnerabilidade e bioética: discussões sobre o filme Um homem entre gigantes. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2021 [acesso 28 jul 2022];29(1):186-93. Disponível: https://bit.ly/3UrkAs9
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, 1919. Rebustini F, Machado AA. Modelo hierárquico de vulnerabilidade no esporte. Pensar Prát [Internet]. 2016 [acesso 28 jul 2022];19(4):939-52. DOI: 10.5216/rpp.v19i4.41209 . Diante da relevância do ensino da bioética no contexto das CMH e da escassez de estudos relacionando as áreas, este artigo tem como objetivo identificar os significados do uso de filmes no ensino da bioética para egressos de um programa de pós-graduação em ciências do movimento humano.

Método

Trata-se de estudo descritivo-exploratório, com abordagem qualitativa dos dados 2020. Marconi MA, Lakatos EM. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. São Paulo: Atlas; 2011.. Participaram da pesquisa oito alunos egressos da disciplina Bioética do Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGCMH-Cefid-Udesc), aprovados entre os anos de 2017 e 2019.

Esses alunos foram escolhidos por conveniência, considerando os objetivos da investigação e as especificidades da população a ser investigada. As características dos participantes podem ser visualizadas no Quadro 1 . A identidade dos participantes foi preservada, uma vez que escolheram nomes fictícios para serem citados no estudo.

Quadro 1
Identificação dos participantes do estudo

Os participantes da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) e o termo de consentimento para fotografia, vídeos e gravações.

A disciplina eletiva Bioética do PPGCMH, escolhida como contexto de investigação, conta com quatro créditos e prevê os seguintes objetivos específicos: discutir sobre princípios bioéticos; disseminar valores humanizadores entre os alunos; promover o desenvolvimento ético dos alunos; estimular nos alunos reflexões críticas relacionadas às condutas humanas no cuidado à saúde e à vida; problematizar assuntos polêmicos acerca da bioética em nível nacional e internacional; conhecer as principais regulamentações relacionadas à bioética; identificar aspectos básicos da bioética em pesquisa 2121. Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano. Ementas das disciplinas [Internet]. Florianópolis: UDESC; 2016 [acesso 28 jul 2022]. Disponível: https://bit.ly/3UkUc3s
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.

Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se um roteiro de entrevistas semiestruturadas 2222. Negrine A. Instrumentos de coletas de dados na pesquisa qualitativa. In: Molina Neto V, Triviños ANS, editores. A pesquisa qualitativa na educação física: alternativas metodológicas. Porto Alegre: UFRGS; 2004. p. 61. composto por dados sobre a caracterização dos participantes e nove perguntas abertas. Tais perguntas contemplaram os seguintes temas geradores: percepção sobre o uso de recursos fílmicos como estratégia pedagógica; contribuições sobre o aprendizado de bioética para o PPGCMH e para a vida profissional; e sugestões de filmes e temáticas próprias ao curso. Como método de registro de dados, utilizaram-se gravador de áudio e diário de campo 2323. Thomas JR, Nelson J. Métodos de pesquisa em atividade física. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2002..

Após a obtenção de uma lista com nomes e contatos de todos os egressos da disciplina Bioética, fornecida pela secretaria do PPGCMH, estes foram convidados por e-mail e/ou telefone a participar da pesquisa. Em caso afirmativo, as conversas presenciais foram agendadas com cada um dos egressos, em local, dia e horário escolhidos por eles. Nesses encontros, apresentou-se a pesquisa e esclareceram-se os objetivos, o método e outras questões.

As entrevistas foram individuais, com duração média de 20 minutos, em um espaço reservado, e registradas em gravador de áudio, sendo posteriormente transcritas integralmente – o tempo total das transcrições foi de 5 horas e 16 minutos. Os dados das entrevistas foram organizados no software NVivo, versão 10.0. A partir dessa organização, estabeleceram-se categorias de análise, seguindo as orientações de Bardin 2424. Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2009., que delineiam tal técnica por entender que ela emprega procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens e indicadores que permitem a obtenção de padrões, possibilitando a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção dessas mensagens.

Resultados e discussão

As categorias da investigação que partiram dos objetivos do estudo foram elencadas a priori ; e as subcategorias, as quais partiram das respostas dos participantes do estudo, a posteriori , conforme o Quadro 2 .

Quadro 2
Categorias e subcategorias da análise das entrevistas

Uso de recursos fílmicos como estratégia pedagógica

Os egressos da disciplina Bioética perceberam inúmeros aspectos facilitadores por meio do uso de recursos fílmicos para o ensino da disciplina no contexto das CMH, conforme Katara sintetizou:

“O filme é um facilitador para o professor ensinar e para o aluno entender” (Katara).

Isso corrobora as ideias de Figueiredo 44. Figueiredo AM. Perfil acadêmico dos professores de bioética nos cursos de pós-graduação no Brasil. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2011 [acesso 28 jul 2022];35(2):163-70. DOI: 10.1590/S0100-55022011000200004, o qual afirma que o professor é facilitador e mediador do processo de ensino-aprendizagem, sendo que ambos, professor e aluno, tornam-se parceiros na construção do conhecimento.

Linhares e Ávila 2525. Linhares RN, Ávila ÉG. Cinema e educação para além do conteúdo. Rev Tempos Espaços Educ [Internet]. 2017 [acesso 28 jul 2022];10(21):89-100. DOI: 10.20952/revtee.v10i21.6335 apresentam a utilização de filmes na prática pedagógica como recurso para uma aprendizagem mais significativa, ocorrendo um processo ativo de interpretação de diferentes olhares e um ambiente para mediações. Quando as metodologias ativas são utilizadas como estratégia de ensino, o discente participa ativamente e compromete-se com seu aprendizado 2626. Bordenave JD, Pereira AM. Estratégias de ensino-aprendizagem. 30ª ed. Petrópolis: Vozes; 2010..

Essa concepção educativa, que estimula processos de ensino-aprendizagem crítico-reflexivos, envolve um momento em que o participante avalia a contribuição de cada disciplina e busca reunir informações para a tomada de decisão pela melhor visão ética possível, sem a propensão de valorizar seu próprio ponto de vista, sendo apontada como necessária na reflexão bioética 22. Durand G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Loyola; 2012.. O formato inovador da aula foi mencionado pelos participantes, pois conquista a atenção do aluno e desperta sua curiosidade pelo assunto; o uso do recurso fílmico como método pedagógico apresenta o conteúdo de maneira prática e clara, mas também lúdica e artística, permitindo o aprendizado de assuntos densos de maneira mais prazerosa. Por sua vez, as discussões após assistir ao filme favorecem uma aula mais dinâmica.

Elza aponta que o uso de filmes é válido pelo fato de muitas pessoas serem mais visuais, podendo aprender mais facilmente com o uso de imagens. A participante também relata que a beleza e a estética do filme criam um ambiente mais leve e relaxante, aproximando os alunos e propiciando um espaço favorável às discussões posteriores ao filme. As artes são recursos educacionais capazes de promover o humanismo por meio da cultura da emoção e da imagem, despertando nos profissionais atitudes e valores, de acordo com sua própria escala de valores, educação e maturidade 2727. Blasco PG, Gallian DMC, Roncoletta AFT, Moreto G. Cinema para o estudante de medicina: um recurso afetivo/efetivo na educação humanística. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2005 [acesso 28 jul 2022];29(2):119-28. Disponível: https://bit.ly/3iw5tAo
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Uma narrativa audiovisual retrata a complexidade do comportamento humano e suas implicações 2727. Blasco PG, Gallian DMC, Roncoletta AFT, Moreto G. Cinema para o estudante de medicina: um recurso afetivo/efetivo na educação humanística. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2005 [acesso 28 jul 2022];29(2):119-28. Disponível: https://bit.ly/3iw5tAo
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. Dantas, Martins e Militão 88. Dantas AA, Martins CH, Militão MSR. O cinema como instrumento didático para a abordagem de problemas bioéticos: uma reflexão sobre a eutanásia. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2011 [acesso 28 jul 2022];35(1):69-76. DOI: 10.1590/S0100-55022011000100010 afirmam que a análise estruturada de um filme, seguida de discussão, propicia a problematização da realidade e permite ancorar argumentos para reflexão e discussão sobre o conflito bioético. Ainda segundo as autoras, as narrativas audiovisuais levam os alunos a discutir mais prazerosamente as bases conceituais da bioética.

Os egressos investigados entendem que o recurso pedagógico do filme, associado à discussão posterior, facilita o entendimento sobre o conteúdo bioético a ser abordado em sala. Mulher Maravilha acredita que, durante as discussões após o filme, fica mais fácil transmitir a informação ao citar uma cena vista anteriormente para contextualizar. Essa facilidade foi observada por Fonseca 99. Fonseca ACC. Cinema, ética e saúde. Porto Alegre: Bestiário; 2012. quando afirma que, ao assistir a um filme, os elementos essenciais à discussão estão dados, apresentados igualmente para todos os espectadores, evitando que detalhes pareçam ser mostrados para favorecer algum ponto de vista. Por sua vez, para que a atividade se justifique pedagogicamente é fundamental que, após a exibição do filme, ocorra uma discussão.

A narrativa do cinema humaniza as situações, acrescentando emoções e sentimentos, completando as informações técnico-científicas. Esse recurso metodológico permite identificar os problemas morais envolvidos, determinar o que é fundamental, bem como aprofundar-se no mundo dos valores e entender a complexidade envolvida 1111. Moratalla TD. La ética narrativa como fundamento del encuentro entre cine y bioética. In: Capella VB, editor. Bioética y cuidados de enfermería. Madrid: Cecova; 2014. p. 163-82..

Mulher Gato pondera que os assuntos da bioética são complexos e densos, e assistir a um filme facilita o entendimento do conflito, retratando as realidades e permitindo aprofundar-se no assunto. O cinema como ferramenta pedagógica pode ser utilizado para abordar conteúdos do currículo do curso ou temas bioéticos e de relações de cuidado 1313. Tarrés MC. Una mirada didáctica para aprender medicina de película. Rev Med Cine [Internet]. 2014 [acesso 28 jul 2022];10(2):57-9. Disponível: https://bit.ly/3H0MkB1
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Filmes podem ser utilizados para mostrar atitudes e valores, bem como práticas profissionais. Além disso, a história do filme permite contextualizar problemas de saúde nas dimensões psicossocial e espiritual, diferentemente do estudo de caso concreto conforme modelo tradicional de explanação do caso 1414. Isern MTI. Medicina e cinema para ensino e pesquisa. Rev Med Cine [Internet]. 2014 [acesso 28 jul 2022];10(2):51-2. Disponível: https://bit.ly/3OSvNRp
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, o que se comprova no relato de uma participante:

“Dependendo da temática que o filme aborda, acredito que fica até mais fácil de entender o objetivo da aula, e as discussões realizadas após assistir ao filme, com a mediação do professor, proporcionam uma melhor aquisição do conteúdo da aula proposta pelo professor” (Mulher Maravilha).

Um dos maiores benefícios do uso do cinema na formação de médicos, farmacêuticos, biólogos e psicólogos, entre outras profissões, é possibilitar que vivam múltiplas experiências ao assistirem a casos fictícios, podendo estabelecer uma via de mão dupla entre realidade e ficção 1414. Isern MTI. Medicina e cinema para ensino e pesquisa. Rev Med Cine [Internet]. 2014 [acesso 28 jul 2022];10(2):51-2. Disponível: https://bit.ly/3OSvNRp
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Conforme a participante Scarlett O’Hara, o filme ajuda o aluno a entender o contexto que envolve a situação conflituosa, pois, muitas vezes, é uma realidade desconhecida do aluno. Ela citou como exemplo os filmes utilizados na disciplina: O mínimo para viver 2828. Noxon M (diretor). O mínimo para viver [To the bone] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. AMBI Group, Sparkhouse Media, Mockingbird Pictures; 2017. 107min, son., cor., que aborda aspectos envolvendo o transtorno alimentar anorexia nervosa; e Ícaro 2929. Fogel B (diretor). Ícaro [Icarus] [documentário]. Produção norte-americana. Alex Productions, Chicago Media Project, Diamond Docs, Impact Partners, Makemake; 2017. 110min, son., cor., que contextualiza o uso do doping no esporte. A egressa explicou que são dois contextos que ela não conhece e que os filmes a ajudaram a entender.

A narrativa cinematográfica, como todas as histórias, é uma mediação, um meio de ampliar as possibilidades, tanto no pensamento reflexivo como no racional, além de servir como veículo de transmissão e exposição para promover identificação, empatia, julgamento ou reflexão 1212. Moratalla TD, Grande LF. Bioética narrativa. Madrid: Escolar y Mayo; 2013.. Isso pode ser compreendido quando Alice descreve que, ao assistir a um filme, torna-se fácil enxergar outros aspectos envolvidos, os vários olhares em relação ao mesmo tema. Tal fato demonstra que o recurso fílmico como técnica pedagógica é uma maneira de ampliar olhares e possibilidades para o diferente.

Moura 3030. Moura DO. O cinema entre o silêncio dos sentidos e a polissemia discursiva. In: Guilhem D, Diniz D, Zicker F, editores. Pelas lentes do cinema: bioética e ética em pesquisa [Internet]. Brasília: UNB; 2007 [acesso 28 jul 2022]. p. 33-48. Disponível: https://bit.ly/3UmHT6F
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afirma que a narrativa fílmica tem aspectos denominados silêncio dos sentidos (situações e práticas culturais presentes na representação dos personagens) e polissemia discursiva (diversidade de atores, valores, interações e representações culturais). Exemplos disso são a composição do perfil dos personagens – incluindo idade, nacionalidade, gênero, posicionamento social, características raciais e de personagens protagonistas e secundários –, as quais delimitam a hierarquia das relações entre eles; e o figurino, que não se refere apenas à roupa do personagem, mas assume uma representação cultural, entre outras, por meio do modo de agir e falar dos personagens, bem como as atitudes adotadas, suas relações familiares, local de trabalho e grupos sociais aos quais pertencem.

Alice reconhece esses aspectos possibilitados pelo uso de recursos fílmicos. Para ela, o filme proporciona que o aluno perceba e reflita sobre diferentes olhares a respeito de determinado tema e que, se este fosse abordado em uma discussão tradicional, talvez não propiciasse esse outro olhar. Para ela, o filme propicia justamente isso: um olhar do todo. Igualmente, Scarlett O’Hara percebe o filme como facilitador ao mostrar as múltiplas visões do mesmo assunto e que, na bioética, é importante refletir sobre todos os pontos de vista. Para ela, os filmes e a bioética estão estreitamente interligados.

De acordo com Mercadé 3131. Mercadé AB. Bioética clínica y narrativa cinematográfica. Rev Med Cine [Internet]. 2005 [acesso 28 jul 2022];1(3):77-81. Disponível: https://bit.ly/3iw5Mv2
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, na linguagem cinematográfica, as experiências podem ser descritas com maior precisão quando as palavras são insuficientes. Conforme o autor, a reflexão sobre essa narrativa é individual, pois depende das experiências e perspectivas de cada um. Em outros termos, o que se sabe e aquilo em que se acredita influenciam a maneira como se enxergam as coisas. Assim, após assistir a um filme, o espectador pode incorporar a sensação a sua vida como sua própria experiência.

Partindo dessas considerações sobre a relevância dos recursos fílmicos para o ensino-aprendizagem da bioética, Moratalla 1111. Moratalla TD. La ética narrativa como fundamento del encuentro entre cine y bioética. In: Capella VB, editor. Bioética y cuidados de enfermería. Madrid: Cecova; 2014. p. 163-82. pontua a importância da utilização de um método adequado para esse ensino, cujo objetivo final é aprender a deliberar. Portanto, os egressos também refletiram sobre as dificuldades de usar recursos fílmicos no ensino da bioética. Eles apontaram a necessidade de local e disponibilidade dos recursos utilizados/adequados para a aula, preocupação com o número de alunos em sala de aula e dificuldade de entender o método pedagógico proposto (falta de maturidade), bem como o professor estar preparado para utilizar o método corretamente.

Esses relatos vão ao encontro do estudo de Rego e Palácios 66. Rego S, Palacios M. Contribuições para planejamento e avaliação do ensino da bioética. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2017 [acesso 28 jul 2022];25(2):234-43. DOI: 10.1590/1983-80422017252183, que discutem sobre o ensino de bioética e sua avaliação em graduações e pós-graduações do campo da saúde. Os autores percebem que o uso de recursos fílmicos no processo de ensino-aprendizagem em bioética é aceito pelos alunos desses cursos, mas é necessário identificar os objetivos pedagógicos e a expectativa em relação ao curso ou aula, para que, então, o método ou a técnica a serem utilizados sejam escolhidos para alcançar o propósito pretendido. Os autores declaram que os conteúdos teóricos, métodos e técnicas precisam estar em conformidade com o nível de formação em que o aluno está inserido e com os objetivos propostos.

Katara alerta que o educador deve avaliar qual público deseja alcançar e decidir qual metodologia de ensino utilizar, exemplificando que é preciso eliminar a dificuldade de concentração da nova geração, entender como melhor ensiná-la, pois ela não costuma ler textos longos e utiliza muito as telas como as de smartphones . Portanto, utilizar filmes com esse público pode ser uma estratégia interessante. A utilização de metodologias ativas para pessoas que estão habituadas a proceder com a emoção como porta de entrada é uma possibilidade de ensino, pois, quando o educador utiliza emoções no processo de ensino, elas podem promover no estudante o desejo e a motivação de aprender 2727. Blasco PG, Gallian DMC, Roncoletta AFT, Moreto G. Cinema para o estudante de medicina: um recurso afetivo/efetivo na educação humanística. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2005 [acesso 28 jul 2022];29(2):119-28. Disponível: https://bit.ly/3iw5tAo
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O cinema permite processos de identificação bastante imediata, porque os espectadores são atraídos pela trama, pela estética e pela identificação com os personagens 1212. Moratalla TD, Grande LF. Bioética narrativa. Madrid: Escolar y Mayo; 2013.. Portanto, o ensino de bioética no PPGCMH, associado ao uso de recursos fílmicos como estratégia pedagógica, mostra-se relevante e pertinente para os egressos desse programa investigados.

Contribuições sobre os aprendizados bioéticos

Os investigados identificaram o formato inovador da proposta utilizada, o qual constitui elemento facilitador para o ensino de conteúdos bioéticos, mas requer cuidados para alcançar o objetivo pedagógico e legitimar contribuições sobre o aprendizado de bioética em diferentes contextos.

Assistir a um filme pode se transformar em espaço de pensamento, conforme defende Fernandes 3232. Fernandes AH. O cinema e o audiovisual na educação: reflexões de pesquisas. Rev Tempos Espaços Educ [Internet]. 2015 [acesso 28 jul 202];8(16):181-94. DOI: 10.20952/revtee.v0i0.3959. A autora discute sobre o valor formativo das narrativas audiovisuais porque o espectador faz reflexões, rememora as próprias experiências e cria significados para sua experiência. Isso pode ser percebido quando Elza relata que a disciplina Bioética no PPGCMH a fez refletir sobre várias crenças pessoais, a rever seus conceitos reproduzidos por questões familiares ou sociais sem uma reflexão. A partir da disciplina, Elza afirma que foi capaz de refletir e ter respeito pelo olhar do outro, considerações que corroboram a potencialidade das narrativas fílmicas.

A fala dos egressos aponta o potencial reflexivo, influenciador da vida e gerador de processos de apropriação do cinema – narrativa visual. Isso confirma as ideias de Moura 3030. Moura DO. O cinema entre o silêncio dos sentidos e a polissemia discursiva. In: Guilhem D, Diniz D, Zicker F, editores. Pelas lentes do cinema: bioética e ética em pesquisa [Internet]. Brasília: UNB; 2007 [acesso 28 jul 2022]. p. 33-48. Disponível: https://bit.ly/3UmHT6F
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, segundo o qual o modo como o espectador absorve, analisa e se apropria dos conteúdos pode ocasionar mudanças, visto que os conteúdos apresentados nas narrativas atuam diretamente sobre o campo dos valores 3030. Moura DO. O cinema entre o silêncio dos sentidos e a polissemia discursiva. In: Guilhem D, Diniz D, Zicker F, editores. Pelas lentes do cinema: bioética e ética em pesquisa [Internet]. Brasília: UNB; 2007 [acesso 28 jul 2022]. p. 33-48. Disponível: https://bit.ly/3UmHT6F
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. A narrativa cinematográfica, como todas as histórias, é uma mediação, uma forma de ampliar as possibilidades tanto no pensamento reflexivo como no racional, além de servir como veículo de transmissão e exposição para promover identificação, empatia, julgamento ou reflexão 1212. Moratalla TD, Grande LF. Bioética narrativa. Madrid: Escolar y Mayo; 2013..

Mulher Maravilha relatou que, depois de cursar a disciplina Bioética, evita fazer julgamentos sem antes conhecer todos os fatos, pois percebeu que existem diferentes posicionamentos para a mesma situação, passando, portanto, a ter uma visão mais ampliada. Scarlett O’Hara, nessa mesma direção, revelou ter passado a evitar pré-julgamentos, procurando entender a realidade do outro.

Elza também apontou a importância de considerar todos os pontos de vista e sugeriu que a disciplina fosse obrigatória no PPGCMH. Alice explicou que era uma pessoa de opiniões preconcebidas e, após concluir a disciplina, passou a ter um olhar mais reflexivo, destacando, ainda, que, por trabalhar com pesquisa quantitativa, tem um olhar objetivo, o qual passou a ser por meio da disciplina mais ampliado.

Durand 22. Durand G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Loyola; 2012. aborda a bioética como reflexão necessária no contexto da ética da pesquisa, tratando da reflexão moral aplicada às atividades de pesquisa e de experimentação, tendo como objeto de pesquisa os seres humanos e partes do corpo humano. Em sintonia com as ideias do autor, o filme Cobaias 3333. Sargent J (diretor). Cobaias [Miss evers’ boys] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. HBO NYC Productions, Anasazi Productions; 1997. 118min, son., cor. foi utilizado na disciplina Bioética para abordar ética e vulnerabilidade de participantes de pesquisas. Foi possível perceber que esse filme causou impacto e promoveu abertura para novos olhares e reflexões nos egressos da disciplina, conforme se pode ver na fala de Alice:

“A partir da discussão sobre o filme, eu entendi como importante e necessário o conhecimento sobre a ética em pesquisa, mas eu não tinha o entendimento do quanto importava e dos cuidados. O fato de uma simples pergunta que a gente possa fazer para uma pessoa durante a pesquisa, ela pode se sentir acuada, coagida, sensibilizada. Antes, eu tinha apenas o olhar do pesquisador quanto aos termos de consentimentos, e agora eu os compreendo” (Alice).

Katara também entendeu a importância de ser pesquisador e realizar uma pesquisa séria após ter cursado a disciplina e compreendeu o que é e para que serve a bioética. Viúva Negra igualmente ampliou seus conhecimentos durante a pós-graduação, reconhecendo que não tinha acesso, como pesquisadora, aos detalhes éticos da pesquisa em si. Ao assistir ao filme Cobaias 3333. Sargent J (diretor). Cobaias [Miss evers’ boys] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. HBO NYC Productions, Anasazi Productions; 1997. 118min, son., cor., esse fato, seguido da discussão em aula, modificou seu olhar, principalmente sobre as pessoas pesquisadas.

Esse pensamento foi notado no relato de Alice, que, até o momento da aula com o filme Cobaias 3333. Sargent J (diretor). Cobaias [Miss evers’ boys] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. HBO NYC Productions, Anasazi Productions; 1997. 118min, son., cor., percebia os documentos éticos como meramente burocráticos, mas, posteriormente, passou a entender a importância de proteger o pesquisado. Mulher Gato também reconheceu que a bioética a fez ampliar o olhar e, ao mesmo tempo, aprofundá-lo, sendo mais cuidadosa e refletindo antes de agir. A egressa afirma que, quando estava escrevendo sua dissertação de mestrado e refletindo sobre a literatura, passou a identificar os conflitos bioéticos, lembrando-se dos filmes a que assistira na disciplina Bioética.

Abordar os temas bioéticos propostos na disciplina provoca nos discentes, além de momentos crítico-reflexivos, contribuições diretas durante o desenvolvimento do trabalho acadêmico no curso de pós-graduação. Essas contribuições podem ser percebidas na fala de Frodo Bolseiro:

“A disciplina foi um divisor de águas para mim. Foi a partir dela que eu quis entrar de vez no mundo da pós-graduação e do mestrado. Ali eu me senti realmente envolvido por este mundo e percebi a importância de o pesquisador respeitar e entender o seu objeto de pesquisa, as pessoas envolvidas, os colegas. Essa disciplina me enriqueceu muito. Eu a trago como divisor de águas, como meu primeiro passo na pós-graduação. Eu sugiro que essa seja uma das primeiras disciplinas e que as pessoas façam como aluno especial ou iniciando na pós-graduação pelo fato da abrangência que ela apresenta. Além de envolver sobre este lado pesquisador, ela traz o lado humanitário, e eu acho que isso é muito importante. O pesquisador precisa ser humano, tem que ser técnico, mas, antes de tudo, tem que ser humano e respeitar o próximo para poder ser respeitado” (Frodo Bolseiro).

A bioética é utilizada para tratar da resolução de casos clínicos atípicos, avaliação de pesquisas, elaboração de diretrizes e políticas públicas a serem estabelecidas quando questões éticas surgirem em decorrência do desenvolvimento tecnológico no campo da saúde e da vida humana, incluindo qualidade de vida 22. Durand G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Loyola; 2012.. Diante disso, o PPGCMH tem como objetivo formar profissionais qualificados e autônomos para atuar no ensino e no desenvolvimento científico e tecnológico no âmbito das CMH, a fim de que estes se tornem pesquisadores éticos, com capacidade de reflexão teórica e sistematização crítica do saber para multiplicar o conhecimento científico 2121. Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano. Ementas das disciplinas [Internet]. Florianópolis: UDESC; 2016 [acesso 28 jul 2022]. Disponível: https://bit.ly/3UkUc3s
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Com o uso desses recursos, o aprendizado de bioética para o PPGCMH traz contribuições para a vida profissional, mas também pessoal dos alunos. Por sua vez, como agentes multiplicadores, os egressos são capazes de disseminar diferentes saberes. Também conseguiram associar e listar filmes sobre assuntos da bioética relacionados a CMH, os quais sugerem reverberar em novos aprendizados.

As reflexões dos egressos acerca das sugestões de filmes e temáticas próprias do curso do PPGCMH, descritas a seguir, estão em sintonia com as ideias de Durand 22. Durand G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Loyola; 2012., ao explicar que, na ética das políticas de saúde, ocorre reflexão interdisciplinar sobre questões de interesse público na saúde, como estratégias de prevenção, promoção e proteção à saúde, bem como acesso a essas políticas.

Por sua vez, a bioética, preocupada com o conjunto de medidas de prevenção contra o adoecimento e as ameaças que podem afetar a qualidade de vida de uma população (especialmente aqueles que se encontram em vulneração), promovendo justiça social, é denominada bioética de proteção 3434. Kottow M. Comentários sobre bioética, vulnerabilidade e proteção. In: Garrafa V, Pessini L, editores. Bioética: poder e injustiça. São Paulo: Loyola; 2003. p. 71-8. , 3535. Schramm F. A bioética de proteção em saúde pública. In: Fortes PAC, Zoboli ELCP, editores. Bioética e saúde pública. São Paulo: Loyola; 2003. p. 71-84. , requerendo um diálogo interdisciplinar com a saúde pública. Nessa perspectiva, Scarlet O’Hara lembrou-se do filme Erin Brockovich, uma mulher de talento 3636. Soderbergh S (diretor). Erin Brockovich, uma mulher de talento [Erin Brockovich] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. Universal Pictures, Columbia Pictures, Jersey Films; 2000. 130min, son., cor., o qual aborda bioética, meio ambiente, saúde e acesso a direitos quando cidadãos adquirem patologias decorrentes dos problemas ambientais causados pelos avanços da indústria.

Florindo 3737. Florindo AA. Atividade física e doenças crônicas. In: Florindo AA, Hallal PC, editores. Epidemiologia da atividade física. São Paulo: Atheneu; 2011. p. 159-86. e Nahas 3838. Nahas MV. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 7ª ed. Florianópolis: Autor; 2017. abordam a importância da atividade física na prevenção de doenças crônico-degenerativas, osteoporose, alguns tipos de câncer, obesidade e depressão. Nahas 3838. Nahas MV. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 7ª ed. Florianópolis: Autor; 2017. alerta que, em razão do custo elevando, tanto social quanto em termos de produtividade associada às doenças crônicas, as empresas passaram a promover ações para motivar estilos de vida saudáveis entre seus funcionários, familiares e comunidade em geral. Para o autor, existem evidências de que a atividade física, principalmente como opção de lazer, pode ter efeitos benéficos na saúde física e mental.

Viegas 3939. Viegas AC. Bioética e obesidade: análise do filme Gordos. In: Fonseca ACC, editor. Cinema, ética e saúde. Porto Alegre: Bestiário; 2012. p. 169-73. discute sobre a relação entre bioética e obesidade, mencionando que a dificuldade de locomoção ou de ocupar espaços deve ser vista da mesma maneira como é direcionada a uma gestante ou a um idoso. Apesar de possuírem doenças crônicas relacionadas aos hábitos, como fumantes ou diabéticos, os obesos tendem a sofrer um julgamento moral maior por causa de seus hábitos, que estão diretamente relacionados a sua aparência. A pesquisadora principal ainda indica os filmes Gordos 4040. Arévalo DS (diretor). Gordos [filme longa-metragem]. Produção espanhola. Canal+ España, Filmanova, Gobierno de Cantabria; 2009. 110min, son., cor. e WALL-E 4141. Stanton A (diretor). WALL-E [longa-metragem]. Produção norte-americana. FortyFour Studios, Pixar Animation Studios, Walt Disney Pictures; 2008. 97min, son., cor..

Os profissionais das CMH tratam o ser humano inserido na sociedade, tendo em mente que todos lidam com avanços tecnológicos, seja na atuação profissional, seja utilizando-se dessas novas tecnologias em seu cotidiano. Portanto, suas ações precisam ser pautadas em reflexões éticas e responsáveis.

Durand 22. Durand G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. 4ª ed. São Paulo: Loyola; 2012. descreve uma microética quando a bioética se ocupa da decisão e da ação por meio da reflexão ética, em conjunto com os conhecimentos distintos de cada problema que envolva casos individuais, como a decisão do paciente e dos envolvidos ou a reflexão do pesquisador acerca do tratamento a ser utilizado com seres humanos. Relatos dessa bioética necessária são mencionados na literatura com temáticas próprias das CMH: no relacionamento profissional da saúde/cliente 1717. Alcaíde AR. Conflitos bioéticos no atendimento clínico do atleta profissional [dissertação] [Internet]. São Paulo: Centro Universitário São Camilo; 2007 [acesso 28 jul 2021]. Disponível: https://bit.ly/3Fha42E
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, 4242. Moreira LC. Anorexia nervosa e exercícios: questões éticas envolvendo profissionais de educação física. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2014 [acesso 21 jun 2021];22(1):145-51. DOI: 10.590/S1983-80422014000100016
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, 4343. Silva TT. Questões éticas na prática da medicina do esporte na contemporaneidade. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2019 [acesso 28 jul 2021];27(1):62-6. DOI: 10.1590/1983-80422019271287 e no relacionamento profissional/cliente/aluno/atleta 1515. Silva MRS. Doping: consagração ou profanação. RBCE [Internet]. 2005 [acesso 28 jul 2022];27(1):9-22. Disponível: https://bit.ly/3XFSoox
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, 1616. Coelho MM. Doping genético, o atleta superior e bioética. Bioethikos [Internet]. 2012 [acesso 28 jul 2022];6(2):171-80. Disponível: https://bit.ly/3ERmSv8
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, 1818. Rebello DS. Iniciação esportiva: uma abordagem bioética. In: Salles AA, editor. Bioética: velhas barreiras, novas fronteiras. Belo Horizonte: Mazza; 2011. p. 257-70. , 4444. Costa EMB, Venâncio S. Atividade física e saúde: discurso que controlam o corpo. Pensar Prát [Internet]. 2004 [acesso 28 jul 2021];7(1):59-74. DOI: 10.5216/rpp.v7i1.66 .

Diante disso, o pesquisador ou professor, além do profissional que atua clinicamente com o ser humano em movimento intencional ou na recuperação desse corpo, necessita do auxílio da bioética no que diz respeito à decisão e à ação por meio da reflexão diante dos conhecimentos distintos de cada problema bioético apresentado.

Alice relata que o filme Como eu era antes de você 4545. Sharrock T (diretora). Como eu era antes de você [Me before you] [filme longa-metragem]. Produção britânica e norte-americana. Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), New Line Cinema, One Film at a Time, Sunswept Entertainment; 2016. 111min, son., cor. aborda a relação profissional/paciente quanto ao atendimento fisioterápico e à qualidade de vida, além da questão da eutanásia. O conflito bioético sobre eutanásia também foi lembrado por Frodo Bolseiro, que indicou o filme Menina de ouro 4646. Eastwood C (diretor). Menina de ouro [Million dollar baby] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. Warner Bros.; 2004. 133min, son., cor. para abordar esse assunto, visto que se baseia em fatos verídicos de uma atleta e seu treinador.

Os participantes lembraram-se do filme O mínimo para viver 2828. Noxon M (diretor). O mínimo para viver [To the bone] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. AMBI Group, Sparkhouse Media, Mockingbird Pictures; 2017. 107min, son., cor., utilizado em sala de aula para abordar a questão dos transtornos alimentares e o excesso da prática de atividades físicas. Outros filmes também foram mencionados pelos egressos para abordar conflitos bioéticos nas CMH, como vulnerabilidade no meio esportivo e uso de doping , respectivamente, com os filmes Um homem entre gigantes 4747. Landesman P (diretor). Um homem entre gigantes [Concussion] [filme longa-metragem]. Produção britânica, australiana e norte-americana. Sony Pictures; 2015. 123min, son., cor. e Ícaro 2929. Fogel B (diretor). Ícaro [Icarus] [documentário]. Produção norte-americana. Alex Productions, Chicago Media Project, Diamond Docs, Impact Partners, Makemake; 2017. 110min, son., cor..

Além dessas indicações, para tratar de conflitos bioéticos envolvidos na relação entre profissional/atleta, os filmes Corpo perfeito 4848. Barr D (diretor). Corpo perfeito [Perfect body] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. The Polone-Winer Company, NBC Studios; 1997. 100min, son., cor. e Eu, Tonya 4949. Gillespie C (diretor). Eu, Tonya [I, Tonya] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana e britânica. AI-Film, Clubhouse Pictures (II), Georgia Film, Music & Digital Entertainment Office, LuckyChap Entertainment, beIN Media Group; 2017. 120min, son., cor. são pertinentes. No contexto de doenças crônico-degenerativas e cuidados fisioterápicos é importante citar o filme 100 metros 5050. Barrena M (diretor). 100 metros [filme longa-metragem]. Produção hispano-portuguesa. Castelao Pictures, Cien Metros La Película, Filmax; 2016. 108min, son., cor..

Quanto aos temas bioéticos que envolvem pesquisas, o filme utilizado na disciplina Bioética para abordar esse assunto foi Cobaias 3434. Kottow M. Comentários sobre bioética, vulnerabilidade e proteção. In: Garrafa V, Pessini L, editores. Bioética: poder e injustiça. São Paulo: Loyola; 2003. p. 71-8., que demonstrou ter impacto positivo, pois os egressos se lembraram dele durante as entrevistas. Alice também indicou o filme Do fundo do Mar 2 5151. Scott D (diretor). Do fundo do mar 2 [Deep blue sea 2] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana e sul-africana. Warner Bros. Entertainment, Film Afrika Entertainment; 2018. 93min, son., cor. para abordar a ética em pesquisa e o melhoramento genético.

Frodo Bolseiro citou filmes que abordam questões ligadas ao esporte, à atividade física e à educação em si, e como esse conjunto pode colaborar em cenários de pessoas envolvidas com violência e tráfico de drogas: O menino que descobriu o vento 5252. Ejiofor C (diretor). O menino que descobriu o vento [The boy who harnessed the wind] [filme longa-metragem]. Produção britânica e malauiana. BBC Films, BFI Film Fund, Blue Sky Films; 2019. 113min, son., cor. e Mentes perigosas 5353. Smith JN (diretor). Mentes perigosas [Dangerous minds] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana. 1995. Hollywood Pictures, Don Simpson/Jerry Bruckheimer Films, Via Rosa Productions; 109min, son., cor.. Além dessas indicações, é pertinente o filme Coach Carter: treino para a vida 5454. Carter T (diretor). Coach Carter: treino para a vida [Coach Carter] [filme longa-metragem]. Produção norte-americana e alemã. Coach Carter, MTV Films, Expedition Films; 2005. 136min, son., cor..

Profissionais de saúde precisam desenvolver hábitos, habilidades e competências deliberativas para aumentar a qualidade da atenção à saúde 5555. Zoboli ELCP. Bioética clínica na diversidade: a contribuição da proposta deliberativa de Diego Gracia. Bioethikos [Internet]. 2012 [acesso 28 jul 2021];6(1):49-57. Disponível: https://bit.ly/3OOagtk
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. Uma das opções para tal competência deliberativa no cotidiano da clínica, bem como na atuação do pesquisador ou professor, no contexto das CMH, pode ser explicada por Moratalla 1111. Moratalla TD. La ética narrativa como fundamento del encuentro entre cine y bioética. In: Capella VB, editor. Bioética y cuidados de enfermería. Madrid: Cecova; 2014. p. 163-82., ao afirmar que a deliberação acontece por meio de narrativas. Segundo o autor, estas alimentam o pensamento e a argumentação.

A deliberação é o método argumentativo da bioética e pode ser aplicada na bioética clínica, na bioética em geral e até na ética. Nesse contexto, entende-se bioética como método de auxílio na tomada de decisão que envolve prudência e responsabilidade, levando em conta, também, emoções, desejos, valores e crenças 1111. Moratalla TD. La ética narrativa como fundamento del encuentro entre cine y bioética. In: Capella VB, editor. Bioética y cuidados de enfermería. Madrid: Cecova; 2014. p. 163-82..

Merecem destaque artigos e obras que indicam temáticas próprias de algumas áreas de ensino, tais como filmes com objetivos educacionais relativos ao ensino de bioética a alunos do curso de graduação em medicina 88. Dantas AA, Martins CH, Militão MSR. O cinema como instrumento didático para a abordagem de problemas bioéticos: uma reflexão sobre a eutanásia. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2011 [acesso 28 jul 2022];35(1):69-76. DOI: 10.1590/S0100-55022011000100010 , 2727. Blasco PG, Gallian DMC, Roncoletta AFT, Moreto G. Cinema para o estudante de medicina: um recurso afetivo/efetivo na educação humanística. Rev Bras Educ Méd [Internet]. 2005 [acesso 28 jul 2022];29(2):119-28. Disponível: https://bit.ly/3iw5tAo
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, 5656. Alarcón WA, Aguirre CM. The cinema in the teaching of medicine: palliative care and bioethics. J Med Mov [Internet]. 2007;3(1):32-41. Disponível: https://bit.ly/3FfS6xq
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, 5757. Cezar PHN, Guimarães FT, Moraes HP, Santos SS, Gomes AP, Siqueira-Batista R. A sétima arte e a arte de viver: o cinema e o “ensino” de bioética. Ens Saúde Amb [Internet]. 2010 [acesso 28 jul 2021];3(2):121-33. DOI: 10.22409/resa2010.v3i2.a21117 ; filmes utilizados para abordar questões éticas vivenciadas por profissionais que atuam no ambiente hospitalar em unidades de terapia intensiva 5858. Pessini L. Vida e morte na UTI: a ética no fio da navalha. Rev. bioét (Impr.) [Internet]. 2016 [acesso 28 jul 2022];24(1):54-63. DOI: 10.1590/1983-80422016241106; atividade formativa de profissionais de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) 5959. Hoffmann JB, Moratelli LB, Finkler M. Educação permanente em saúde: uma experiência do projeto “bioética pelas lentes do cinema”. Extensio UFSC [Internet]. 2017 [acesso 28 jul 2022];14(26):97-106. DOI: 10.5007/1807-0221.2017v14n26p97; e seriados de televisão com temas bioéticos próprios da psicologia 6060. Badii IC. Psicología, bioética y narrativa cinematográfica: un análisis cualitativo de producciones de estudiantes sobre conflictos bioéticos relacionados con la identidad. Rev Latinoam Bioet [Internet]. 2016 [acesso 28 jul 2022];16(2):16-39. DOI: 10.18359/rlbi.1464.

Para que os profissionais das CMH possam desenvolver suas competências deliberativas e utilizá-las nos conflitos bioéticos próprios da área, aponta-se a necessidade de mapear e documentar filmes com temáticas bioéticas. Segundo Alarcón e Aguirre 5656. Alarcón WA, Aguirre CM. The cinema in the teaching of medicine: palliative care and bioethics. J Med Mov [Internet]. 2007;3(1):32-41. Disponível: https://bit.ly/3FfS6xq
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, o leque de filmes úteis à educação médica é tão amplo que é difícil fazer uma compilação de títulos e enredos associando a seleção das doenças que estes abordam. Partindo dessa premissa, sem esgotar a questão, o Apêndice deste artigo traz um quadro com sugestões de filmes, documentários e seriados aplicáveis às CMH.

Fonseca 99. Fonseca ACC. Cinema, ética e saúde. Porto Alegre: Bestiário; 2012., no livro Cinema, ética e saúde , traz sugestões de filmes e documentários e as temáticas relacionadas. A obra conta com a participação de vários autores, sendo composta por ensaios sobre filmes e artigos com indicação de temas para discussão e sugestões de leituras complementares. Assim, com inspiração nesta obra, acredita-se que as indicações podem contribuir para desenvolver as competências deliberativas de que os profissionais, pesquisadores e professores da área necessitam para aplicar em seu cotidiano.

Considerações finais

A discussão acerca de questões bioéticas a partir de recursos fílmicos é relevante no contexto acadêmico, pois permite trabalhar dilemas comuns no cotidiano de profissionais da saúde, produzindo conhecimento na área e estimulando diálogo entre pessoas com diferentes visões. Os filmes, em particular, são capazes de provocar sentimentos e mudar o olhar das pessoas ao conectá-las com as próprias reflexões 1010. Waltrick LT, Stein F, Marinho A. Vulnerabilidade e bioética: discussões sobre o filme Um homem entre gigantes. Rev. bioét. (Impr.) [Internet]. 2021 [acesso 28 jul 2022];29(1):186-93. Disponível: https://bit.ly/3UrkAs9
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As narrativas fílmicas têm capacidade de apresentar conteúdos bioéticos e contextualizá-los e, na percepção de egressos do PPGCMH investigados, o uso de filmes com temáticas próprias das CMH torna o aprendizado mais significativo e prazeroso. Além disso, oportuniza a aproximação da realidade de suas profissões com esses conteúdos bioéticos, facilitando o aprendizado.

Discentes das CMH, ao cursar a disciplina Bioética, tornam-se preparados para refletir acerca de seu papel na sociedade diante dos problemas bioéticos ocasionados pela evolução científica e tecnológica. Dessa forma, podem lançar mão da bioética de proteção para refletir sobre o conjunto de medidas de prevenção contra o adoecimento e as ameaças que podem afetar a qualidade de vida de uma população, especialmente aqueles que se encontram em vulneração, promovendo justiça social.

A disciplina Bioética, ao utilizar recursos fílmicos no contexto das CMH, facilita a apresentação e a contextualização dos conflitos bioéticos, próprios das CMH. Isso amplia o olhar do discente perante conflitos bioéticos existentes em seu ambiente profissional, facilitando tomadas de decisão, após avaliar diferentes visões do problema. Portanto, tem potencial transformador, possibilitando que os alunos se percebam pesquisadores e reconheçam a responsabilidade ética que esse papel exige.

Embora seja escassa a literatura sobre filmes com temática voltada às CMH, o docente do campo da bioética pode promover a aproximação de conteúdos bioéticos que contribuam para o processo de ensino-aprendizagem. Exemplos desses conteúdos são o relacionamento ético entre profissional e atleta, o doping , o excesso da prática esportiva ou sua iniciação precoce, entre outros. Temas bioéticos importantes, como eutanásia, vulnerabilidade e discriminação, também podem estar nessas discussões.

Como proposição para estudos futuros, é pertinente destacar a importância de considerar outras possibilidades investigativas relacionadas a recursos fílmicos. Diferentes abordagens têm sido discutidas na literatura contemporânea sobre cinema e educação 6161. Almeida R. Cinema e educação: fundamentos e perspectivas. Educ Rev [Internet]. 2016 [acesso 30 jul 2022];(33):e153836. DOI: 10.1590/0102-4698153836, desde as mais conservadoras, compreendendo o cinema como ferramenta didática utilizada para o ensino em sala de aula, até perspectivas mais amplas, que entendem o cinema como produtor de sentidos. Assim, outras perspectivas – sociológicas, didáticas, relacionadas aos estudos culturais e aos aspectos sensíveis e criativos do cinema como um todo – podem representar possibilidades férteis de investigação quando associadas a estudos bioéticos.

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  • Aprovação CEPSH-UDESC 3.068.733

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Fev 2023
  • Data do Fascículo
    Oct-Dec 2022

Histórico

  • Recebido
    21 Jun 2021
  • Revisado
    11 Out 2022
  • Aceito
    13 Out 2022
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